Trump diz que gostaria de ‘bom e velho aquecimento global’ contra o frio

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Presidente despreza políticas climáticas, justificando que noite do Ano Novo será muito fria.

Donald Trump fala ao telefone na sua primeira véspera de natal como presidente dos EUA – NICHOLAS KAMM / AFP

Mesmo já sendo conhecido pelas publicações insólitas no seu Twitter, o presidente dos EUA, Donald Trump, surpreendeu mais uma vez os seus seguidores na rede social nesta sexta-feira. O chefe da Casa Branca disse que não cairia nada mal um pouco do “bom e velho aquecimento global” diante das baixas temperaturas que deverão ser registradas para este 31 de dezembro na costa leste americana. E ainda foi além, criticando a pressão para que os EUA assumam compromissos financeiros para o combate às mudanças climáticas globais pela comunidade internacional.

“No Leste, este poderá ser a MAIS FRIA noite de Ano Novo já registrada. Talvez nos caísse bem um pouco daquele bom e velho aquecimento global do qual o nosso país, mas não outros, ia pagar TRILHÕES DE DÓLARES para se proteger. Agasalhem-se!”, escreveu o presidente.

Não demorou para que muitos pontuassem que o presidente, em sua afirmação, parece ter desconsiderado a diferença entre tempo e clima. O tempo se refere às condições atmosféricas num curto período, enquanto o clima é o panorama mais extenso dos padrões do tempo. Os cientistas explicam que, por isso, a análise das mudanças climáticas deve ser estudada sob a perspectiva das temperaturas registradas ao longo de muitos anos, e não apenas uma noite, como a do próximo domingo.

Mas Trump já expressou diversas vezes seu ceticismo sobre os estudos científicos que tentam desvendar melhor o aquecimento global. O atual presidente já chegou a dizer que esta é uma “farsa” criada pelos chineses para prejudicar as indústrias americanas. Além disso, no início deste ano, anunciou que retiraria os EUA do acordo climático de Paris, cujo objetivo é frear a produção dos gases de efeito estufa. O pacto estabeleceu objetivos para diminuir o ritmo do aquecimento global, reduzindo as emissões que contribuem para o derretimento do gelo do Ártico, o que aumenta o nível do mar e muda os padrões climáticos em todo o mundo.

A agência meteorológica e climática das Nações Unidas indicou no mês passado que 2017 estava no caminho para ser o ano mais quente já registrado, exceto para as áreas afetadas pelo fenômeno do El Niño, que pode contribuir para o aumento das temperaturas. No ano passado, estabeleceu um novo recorde de temperatura global.

Até Trump assumir o governo, os EUA exerceram papel de liderança na construção do Acordo de Paris, com o ex-presidente Barack Obama negociando diretamente com os chineses a participação das duas nações mais poderosas e poluidoras do planeta. Pelo acordo, cada país signatário apresentou seus compromissos de redução de gases do efeito estufa. China, Canadá e União Europeia já afirmaram que manterão seus compromissos assumidos, independente da posição americana.

Via OGlobo
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