UFMG é a melhor federal do país; PUC e Unifei estão entre as de maior impacto

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Em um período no qual a ciência vem sendo duramente atacada em todas as suas facetas, uma notícia surge como alento: Segundo levantamento recentemente divulgado pela revista britânica “Times Higher Education” (“THE”), o Brasil tornou-se o sexto país com maior número de instituições bem-avaliadas no mundo. Com 52 universidades presentes no ranking – seis a mais em relação ao último levantamento –, o país fica à frente de Espanha, Itália, Canadá e Alemanha, por exemplo. Entre elas, oito são mineiras.

São elas: a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG);a Universidade Federal de Itajubá (Unifei), a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a Universidade Federal de Lavras (Ufla), a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Dessas, a UFJF e a UFU são estreantes no ranking, que é desenvolvido há mais de uma década.

Mais bem-ranqueada entre as mineiras, a UFMG é, também, a instituição federal de maior destaque do país, ocupando a faixa entre a 401ª e a 600ª melhores universidades do planeta (após o 200º lugar, as instituições são classificadas em faixas).

A instituição mineira só aparece atrás de Universidade de São Paulo e a Universidade de Campinas – ambas estaduais – entre as melhores do Brasil, que estão, respectivamente, no primeiro e segundo posto. Na faixa geral, a USP está na posição de 201 a 250 com mais destaque, enquanto a Unicamp fica entre 401 e 500.

Para avaliar as instituições, a revista considerou, entre diversos fatores, o número de citações de pesquisa, o grau de titulação dos professores, a transferência de conhecimento para a sociedade e o nível de internacionalização.

A reportagem tentou contato com a UFMG, mas não havia obtido resposta até a publicação desta matéria.

Ranking global

O ranking deste ano, divulgado na última quarta-feira (2), reúne informações de 1.527 universidades, de 93 países. Os Estados Unidos lideram a lista, com 181 instituições; em seguida vêm Japão (116), Reino Unido (101), China (91) e Índia (63).

Quando o assunto são as dez melhores, Reino Unido e Estados Unidos dominam o ranking. A terra da rainha tem apenas duas no Top 10, mas a mais bem-avaliada é a britânica Universidade de Oxford, que lidera um dos estudos mais promissores de vacina contra o novo coronavírus (Covid-19). Os norte-americanos têm oito no recorte, sendo Stanford a mais bem-avaliada, no segundo posto.

Anteriormente, no final de abril, a mesma “THE” havia divulgado um ranking específico sobre as instituições que mais causam impacto na sociedade. E, nesse quesito, o Brasil seguiu tendo destaque, ocupando o sétimo posto entre os países que mais possuem instituições que promovem pesquisas relevantes, à frente de Austrália, Canadá, China e França, por exemplo. No total, 30 universidades tupiniquins foram destacadas, sendo duas delas mineiras: a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e a Universidade Federal de Itajubá (Unifei).

Esse estudo específico, que é realizado desde 2019, leva em consideração o desempenho global de 768 instituições de 85 países em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, estabelecidos no início do milênio. Para se chegar ao resultado final do ranking, são utilizadas 17 métricas que estão inseridas em três grandes áreas: pesquisa, alcance e administração.

“A ideia desses objetivos das Nações Unidas era promover melhorias para enfrentar os desafios que o mundo colocava relativos ao meio ambiente, à política e à dimensão econômica. A partir daí, estabeleceram essas linhas de atuação para melhorar as condições de vida. São 17 indicadores. A ‘Times Higher Education’ adotou essas dimensões, fazendo o levantamento cujas ações estavam mais afinadas com essas métricas. Eles desenvolveram uma metodologia para levar esses critérios, nos quais a PUC teve destaque em vários critérios”, aponta Alexandre Diniz, coordenador de pesquisa da pró-reitoria de pesquisa e de pós-graduação da PUC

No contexto global, a PUC Minas ocupa a faixa entre a 401ª e a 600ª melhor instituição (vale lembrar que após o 200º lugar, as universidades são classificadas em faixas), tal qual a Unifei. Porém, em alguns itens chega entre as 200 melhores do mundo, como no quesito “paz, justiça e instituições eficazes” e “erradicação da pobreza”. É o que destaca Diniz.

“Quando analisamos alguns dos 17 itens para montar o estudo, vemos a PUC em destaque em alguns deles, como a ‘erradicação da pobreza’ e a ‘paz, justiça e instituições eficazes’. A metodologia do índice leva em consideração vários critérios, um deles são as pesquisas de professores e alunos. No caso da erradicação, o item leva em consideração o percentual de alunos que recebem auxílio para benefício do estudo. A PUC quer promover, por princípio, a distribuição de várias bolsas, até pela sua natureza católica. Temos, também, os programas para erradicação da pobreza que a instituição desenvolve. Temos a extensão, que tem uma série de programas que leva às comunidades carentes vários tipos de ação. Ou seja, é uma gama de fatores”, pontua o coordenador de pesquisa da PUC-MG.

“Se você pegar até mesmo a própria missão da PUC, verá que esses fatores estão intrínsecos a ela. A missão institucional é comunitária, confessional, sem fins lucrativos, buscando promover o desenvolvimento humano e social, através da ética, da solidariedade e do compromisso com o bem comum. E isso se associa à disseminação da ciência e da cultura através da interdisciplinaridade. E, por isso, temos um resultado bastante feliz, já que é uma instituição que preza por esses valores, e vemos isso nas linhas de pesquisa e nas políticas sociais”, completa Diniz.

A reportagem entrou em contato com a reitoria da Unifei, mas também não obteve sucesso.

Desafios para a comunidade científica

Para além de promover avanço de pesquisas na área da ciência, as instituições vivem o desafio de um contexto dicotômico em que a ciência é colocada em xeque, apesar da necessidade de desenvolver soluções para que a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) tenha fim. Nesse quesito, Diniz, ainda que lamente o presente, vê um futuro próspero pela frente.

“A gente vive uma conjuntura paradoxal. Temos setores mais negacionistas nos atacando, seja em função da crise econômica, seja de uma orientação ideológica, com cortes para a pesquisa. Por outro lado, o que está acontecendo é que a ciência é a única esperança para sair dessa situação. A solução para o fim da pandemia, para a retomada, passa necessariamente pela descoberta de uma vacina, de uma cura. É um momento meio paradoxal, meio maluco. Mas tenho esperança que a razão, a ciência e a objetividade vão triunfar”, pondera Diniz.

Fonte: O Tempo
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