Pelo menos 30 produtores rurais procuraram a polícia para denunciar o empresário Elvis Vilhena Faleiros, de Franca (SP), pelo desaparecimento de cerca de 21 mil sacas de café que estariam armazenadas nos barracões da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil), da qual ele é presidente.
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Segundo a Polícia Civil, o número de vítimas pode chegar a 180 produtores, com um prejuízo estimado em, pelo menos, R$ 132 milhões. Além de agricultores de Ibiraci, onde fica a sede da cooperativa, há registros de denúncias de cafeicultores de Franca, Cristais Paulista, Claraval e Cássia.
A Justiça decretou a prisão de Elvis Vilhena Faleiros, que segue foragido. Além dele, dois diretores da Cocapil também são investigados e tiveram bens penhorados. De acordo com o delegado Estevam Ferreira, responsável pelo caso em Ibiraci, os relatos apresentados pelas vítimas são semelhantes, indicando um mesmo padrão de atuação.
Ainda segundo o delegado, o inquérito policial deve ser concluído até esta sexta-feira (9), mas novas denúncias ainda podem ser formalizadas por produtores que também se considerem lesados. A fraude começou a ser descoberta em agosto do ano passado, quando alguns cooperados tentaram retirar suas sacas de café e constataram que o produto não estava nos locais onde deveria estar armazenado.
Procurado pela reportagem do G1, o advogado Márcio Cunha, que representa Faleiros, disse que o rombo na cooperativa se deu por causa de oscilações financeiras do mercado cafeeeiro e explicou que o empresário deseja ressarcir o prejuízo às vítimas.
“O objetivo é saldar com os produtores. Esse é o objetivo maior. E o senhor Elvis está buscando meios financeiros para arcar com todos os cafés depositados”.
Durante os depoimentos à Polícia Civil, os dois diretores ouvidos alegaram que a cooperativa enfrentava problemas financeiros, o que teria levado ao desvio das sacas pertencentes aos produtores. Eles afirmaram ainda que a crise se agravou a partir de 2021, período em que a situação financeira da Cocapil teria se tornado insustentável.
O advogado de Faleiros confirmou a crise na cooperativa e disse que os diretores esperavam recuperar a produção, o que, segundo dele, não ocorreu.
“A intenção da cooperativa, e acreditava-se que a produção seria melhor, não ocorreu essa melhora e ocorreu uma grande falta de entrega de café pra estoque na própria cooperativa, o que gerou ainda mais esse saldo. Nós tivemos não só geada a partir de 2020, mas uma seca muito grande a partir de 2021, que prejudicou ainda mais essas negociações”.
O presidente da cooperativa é o único que teve a prisão decretada até o momento. A defesa disse que já entrou com um pedido de habeas corpus na Justiça, mas ainda não foi julgado por conta do recesso judicial.
As investigações continuam para apurar a extensão do prejuízo, identificar possíveis novos envolvidos e esclarecer o destino do café desaparecido.
Fonte: G1









