Uma bebê morreu horas após o parto na maternidade do Hospital Regional do Sul de Minas, em Varginha, na segunda-feira (10). A família registrou um boletim de ocorrência e solicita que as circunstâncias do atendimento prestado à mãe durante a gestação e no momento do parto sejam investigadas por suspeita de negligência médica.
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Segundo a declaração de óbito, a recém-nascida morreu em decorrência de asfixia grave e síndrome de aspiração de mecônio, condição relacionada à aspiração das primeiras fezes do bebê.
A mãe, Lívia Salgado Tavares Silva, relatou que esteve no Hospital Regional cerca de 15 dias antes do parto, depois de perceber uma possível perda de líquido. De acordo com ela, após avaliação da equipe médica, foi informada de que não havia perda de líquido e retornou para casa.
Na madrugada de segunda-feira, Lívia voltou à maternidade após o início das contrações. Segundo seu relato, ela apresentava aproximadamente dois centímetros de dilatação. Uma médica teria avaliado que ela ainda não estava em trabalho de parto e solicitado uma cardiotocografia, exame utilizado para acompanhar os batimentos cardíacos do bebê e as contrações da gestante.
A mãe afirma que permaneceu por cerca de uma hora realizando o exame. Durante esse período, outro médico teria identificado alterações nos batimentos cardíacos da bebê e recomendado a realização de uma cesariana. Ainda segundo Lívia, a médica responsável teria solicitado outro exame antes da cirurgia.
A gestante estava com 40 semanas de gravidez. Diante da morte da filha, a família questiona a evolução do atendimento e busca esclarecimentos sobre o que ocorreu durante o trabalho de parto.
A irmã da paciente, Daiana Salgado Lunato, também questionou o intervalo entre a identificação das alterações e a realização do parto. Para a família, o fato de Lívia já ter procurado a unidade anteriormente após perceber a perda de líquido também precisa ser considerado na apuração.
Daiana afirmou ainda que a família esperava levar a bebê, chamada Isa, para casa após o nascimento. Os familiares também questionam a informação de que os prontuários médicos somente poderiam ser disponibilizados após um prazo de 30 dias.
Conforme consta no boletim de ocorrência, uma enfermeira informou que a gestante teria apresentado dificuldade para permanecer imóvel durante a cardiotocografia, o que poderia ter prejudicado a avaliação. O registro policial também aponta que a equipe teria identificado queda nos batimentos cardíacos da bebê e presença de mecônio antes da cirurgia.
Após o nascimento, a recém-nascida teria sofrido uma parada cardiorrespiratória. A equipe médica realizou manobras de reanimação e, após a estabilização, a bebê foi encaminhada à UTI neonatal, onde foi intubada.
Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, Isa permaneceu algumas horas na UTI neonatal, mas não resistiu e morreu.
O registro policial deverá ser encaminhado à Polícia Civil, que poderá analisar o caso e verificar a necessidade de abertura de investigação para esclarecer as circunstâncias da morte e eventual existência de falhas no atendimento.
A família afirma que pretende acompanhar a apuração e busca respostas sobre a assistência prestada à gestante e à bebê.
Nota do Hospital Regional do Sul de Minas
NOTA À COMUNIDADE
Recebemos com profunda tristeza a notícia da perda do recém-nascido ocorrida em nossa maternidade.
Neste momento, queremos, antes de qualquer outra manifestação, expressar nossa solidariedade à paciente, à sua família e a todos que compartilham dessa dor. Sabemos que não existem palavras capazes de amenizar um sofrimento como esse, mas queremos que essa família saiba que ela tem nosso respeito e nossa consideração.
Também temos acompanhado as manifestações da comunidade. Entendemos que acontecimentos como este despertam tristeza, preocupação e muitas dúvidas. Também fazem com que outras mulheres sintam necessidade de compartilhar suas próprias experiências. Nós ouvimos essas manifestações com respeito. Cada relato importa e nos ajuda a compreender melhor como nossos pacientes e familiares vivenciam o cuidado que oferecemos.
O caso está sendo cuidadosamente analisado por nossa equipe, como ocorre em todos os eventos graves atendidos pela instituição. Nosso compromisso é compreender, de forma criteriosa e responsável, toda a evolução do atendimento e identificar todas as oportunidades de aprendizado e aperfeiçoamento.
Por respeito à paciente, à sua família e ao sigilo previsto na legislação, não podemos comentar publicamente detalhes clínicos do caso. Essa postura existe para proteger a privacidade das pessoas envolvidas e garantir que qualquer análise seja conduzida com responsabilidade, ética e baseada em todos os fatos.
Também sabemos que cuidar não significa apenas oferecer um atendimento tecnicamente adequado. Significa ouvir, acolher, orientar, comunicar com clareza e estar presente nos momentos mais difíceis. É por isso que estamos fortalecendo iniciativas voltadas à experiência das pacientes, ao acolhimento das famílias e ao desenvolvimento contínuo de nossas equipes.
Há mais de 100 anos, o Hospital Regional do Sul de Minas faz parte da vida da nossa comunidade. Essa história nos enche de orgulho, mas, acima de tudo, aumenta nossa responsabilidade. Cada evento grave nos mobiliza, nos faz refletir e reforça nosso compromisso de aprender continuamente para oferecer um cuidado cada vez mais seguro, humano e digno da confiança que a população deposita em nossa instituição.
À paciente e à sua família, renovamos nossa solidariedade. À comunidade, reafirmamos nosso compromisso de continuar ouvindo, aprendendo e cuidando das pessoas com respeito, transparência e humanidade.
Varginha, 12 de agosto de 2026.
HOSPITAL REGIONAL DO SUL DE MINAS
*com informações G1 Sul de Minas








