O que começou com medo de rejeição terminou transformando não apenas uma família, mas também um negócio construído há três gerações no interior de Minas Gerais.
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Os irmãos Filipe e Tiago Campos Mendonça decidiram voltar para Três Pontas, no sul do estado, assumir espaço na produção de café da família e criar a Nhaí, uma marca que leva a identidade LGBTQ+ justamente para um ambiente onde pessoas gays ainda relatam enfrentar preconceito e invisibilidade.
Antes disso, porém, houve um passo decisivo. Em 2021, os dois contaram à família que eram gays. Tiago lembra que o medo era real: “Tivemos muito medo, inclusive de sermos expulsos de casa”. A aceitação, segundo ele, mudou a relação dos irmãos com a própria origem e abriu caminho para que participassem do negócio familiar.
O pai, Gláucio Garcia Mendonça, admite que precisou de tempo para compreender. “Da primeira vez você leva um baque”, contou. Com o passar dos anos, a família se reorganizou e hoje trabalha junta: o pai permanece responsável pelas lavouras, enquanto os filhos atuam na torra, comercialização e administração do café.
O próprio nome da marca virou símbolo dessa mudança. “Nhaí”, expressão popular associada ao universo LGBTQ+, inicialmente provocou críticas, inclusive dentro da família.
Hoje, segundo os irmãos, até produtores rurais da cidade os cumprimentam usando a palavra.
E a aposta também ganhou força comercial.
Com café avaliado acima de 84 pontos, a empresa registrou crescimento superior a 400% nas vendas em apenas um ano, impulsionada pela entrada em uma rede varejista com 45 lojas em São Paulo, além da presença em Minas Gerais e cafeterias de Belo Horizonte.
Para Tiago, o resultado vai além das vendas: “A questão da representatividade foi o que mais deu forças para nos afirmarmos como produtores gays num ambiente tão difícil como o agro.”
Fonte: Livres Iguais BR








