A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou três casos de mpox em 2026. Neste ano, o Brasil registra um surto da doença, com 48 casos confirmados, sendo 41 apenas em São Paulo.
Participe do Canal Portal Onda Sul no WhatsApp
De acordo com dados da Saúde de Minas Gerais, até o último dia 16 foram notificados 19 casos no estado. Desse total, três foram confirmados, um é considerado provável, nove seguem como suspeitos e seis foram descartados. Até a última atualização, não houve registro de óbitos relacionados à mpox em Minas.
Os três casos confirmados em Minas Gerais ocorreram em homens. Um paciente tem entre 40 e 49 anos, enquanto os outros dois estão na faixa de 30 a 39 anos. Nenhum deles precisou de internação. Os diagnósticos foram confirmados em Belo Horizonte e Contagem.
Segundo o secretário de Saúde, Fábio Baccheretti, a ocorrência de casos é recorrente. “Todo ano temos casos de mpox e em 2026 não está sendo diferente”, afirmou.
A mpox, anteriormente chamada de monkeypox ou varíola dos macacos, é uma infecção causada pelo vírus Mpox, pertencente à família orthopoxvirus, a mesma da varíola. Conforme explica a infectologista Flávia Falci, do Grupo Santa Joana, os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores no corpo, cansaço e aumento dos linfonodos. Em seguida, pode ocorrer a fase eruptiva, marcada por lesões na pele que evoluem de manchas avermelhadas para vesículas, depois pústulas e, por fim, crostas.
As lesões podem surgir na face, região genital, perianal, palmas das mãos, plantas dos pés e mucosas. Em casos graves, a doença pode evoluir com manifestações neurológicas e oculares.
A mpox é registrada há décadas em países da África, principalmente na República Democrática do Congo. No entanto, ganhou destaque mundial a partir de 2022, quando teve início o surto global que segue até hoje. De acordo com o infectologista Dyemison Pinheiro, mestre em saúde coletiva e médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, o vírus se divide em dois clados principais, 1 e 2, que se subdividem em 1a, 1b, 2a e 2b.
Segundo ele, o clado 1a circula principalmente na África Central, enquanto o 2b foi inicialmente detectado na Nigéria e se tornou o principal responsável pelo surto global iniciado em 2022. Já o clado 1b tende a causar sintomas mais intensos em pessoas com maior vulnerabilidade, como aquelas com baixa imunidade.
A transmissão ocorre, principalmente, por contato físico direto com lesões ativas antes da cicatrização, seja em relações sexuais ou em outras formas de contato próximo. O período de incubação pode variar de poucos dias até cerca de três semanas. Dessa forma, é indicado o isolamento até a cicatrização completa das lesões.
Além disso, a transmissão pode ocorrer antes do surgimento de sintomas ou a partir de pessoas assintomáticas. O contato com fluidos corporais, como saliva, sangue e sêmen, também representa risco. A transmissão da mãe para o bebê é possível, assim como por meio de objetos contaminados. A infecção por gotículas respiratórias pode acontecer, embora seja menos comum.
A população considerada de maior risco inclui homens que fazem sexo com homens, pessoas que vivem com HIV/Aids, imunossuprimidos, crianças pequenas e gestantes. No caso das gestantes, há risco de transmissão vertical e complicações para o feto.
Atualmente, o tratamento é baseado em terapia de suporte, já que estudos sobre medicamentos específicos ainda não demonstraram a efetividade esperada.
A principal forma de prevenção é a vacinação. O imunizante está disponível no SUS para maiores de 18 anos que vivem com HIV/Aids, usuários de PrEP e profissionais de saúde com risco de exposição ao vírus. No entanto, especialistas alertam para a baixa cobertura vacinal.
Segundo Pinheiro, o aumento de casos suspeitos e confirmados, inclusive do clado 1b, acende um sinal de alerta, especialmente em períodos como o Carnaval, quando há maior contato físico entre as pessoas.
Ao observar lesões na pele, com ou sem sintomas como febre e dor no corpo, a orientação é evitar contato com outras pessoas e procurar avaliação médica. Por fim, especialistas recomendam mudanças comportamentais em relação às parcerias sexuais e, em ambientes hospitalares, o uso de equipamentos de proteção individual e a higienização adequada dos espaços.









