Em Minas Gerais, no Sudeste do país, os casos de suicídio cresceram de forma expressiva na última década. Dados oficiais indicam aumento de 34,5% entre 2014 e 2024, quando os registros passaram de 1.357 para 1.825 ocorrências anuais. Além disso, no período de dez anos, foram contabilizadas ao menos 18.055 mortes, o que representa uma média de uma perda a cada pouco mais de cinco horas no estado.
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No Colar Metropolitano, que reúne Belo Horizonte e outras cidades do entorno, a alta estimada foi de 11%, conforme informações mais recentes do DataSUS, divulgadas em dezembro de 2025. No entanto, o pico foi registrado em 2022, quando cerca de seis famílias por dia perderam entes queridos em decorrência do suicídio.
Especialistas apontam que os impactos emocionais, sociais e econômicos deixados pela pandemia de Covid-19 explicam parte desse cenário. Com isso, fatores como luto, insegurança financeira, desemprego, endividamento e isolamento social contribuíram para o agravamento do sofrimento psíquico. Além disso, transtornos mentais seguem associados à maioria dos casos, somados a fatores de risco que se intensificaram após o período de crise sanitária.
Enquanto isso, o aumento de quadros de depressão entre crianças e adolescentes também chama atenção. A dificuldade de lidar com frustrações, aliada ao uso excessivo de telas, à pressão por desempenho e à solidão afetiva, tem ampliado a vulnerabilidade desse público. Dessa forma, a falta de diálogo e de apoio emocional é apontada como um elemento que agrava o problema.
Por outro lado, os pedidos de ajuda cresceram de forma significativa. Entre janeiro e setembro de 2025, o Disque 188, serviço nacional de apoio emocional e prevenção do suicídio, recebeu mais de 232 mil chamadas em Minas Gerais. Com isso, a média foi de 853 atendimentos por dia, o que equivale a uma ligação a cada 1 minuto e 40 segundos, reforçando a dimensão da demanda por acolhimento no estado.
Por fim, o levantamento também evidencia os impactos duradouros do suicídio sobre familiares e pessoas próximas. O luto, muitas vezes marcado por estigma e silêncio social, tende a ser prolongado e complexo. Dessa maneira, especialistas reforçam a importância de políticas públicas, acesso à saúde mental e fortalecimento de redes de apoio para reduzir os números e ampliar a prevenção em Minas Gerais e no Sul de Minas.

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