O Sul de Minas reúne quase metade das cidades de Minas Gerais com registros oficiais de surtos de escabiose, doença popularmente conhecida como sarna humana. Levantamento realizado com dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e informações das secretarias municipais aponta a confirmação de casos em pelo menos 11 municípios da região.
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Segundo a SES-MG, foram comunicados oficialmente 11 surtos em Minas Gerais em 2026. Desse total, cinco ocorreram no Sul de Minas, nas cidades de Alfenas, Andradas, Campos Gerais, Lavras e Paraguaçu.
Além desses registros, um levantamento junto às secretarias municipais de Saúde identificou casos confirmados em outros seis municípios: Poços de Caldas, Machado, Luminárias, São Lourenço, Caldas e Turvolândia. Nesta quarta-feira (4), Turvolândia também confirmou a ocorrência da doença.
Após a confirmação, a Secretaria Municipal de Educação determinou a suspensão temporária das atividades no CEMEI Professora Célia do Carmo Garcia. O atendimento ficará interrompido na quinta-feira (5) e na sexta-feira (6), como medida preventiva.
Número de casos nas cidades da região
Entre os municípios com informações sobre a quantidade de pessoas infectadas, Alfenas apresenta o maior número de registros, com 332 casos. Na sequência aparecem Andradas, com 47, e Paraguaçu, com 34.
Confira os números informados:
* Alfenas: 332 casos;
* Andradas: 47 casos;
* Paraguaçu: 34 casos;
* Campos Gerais: 14 casos;
* Poços de Caldas: 9 casos;
* Machado: 7 casos;
* Luminárias: 7 casos;
* São Lourenço: 5 casos;
* Caldas: 3 casos;
* Lavras: 2 casos;
* Turvolândia.
A escabiose não faz parte da lista de doenças de notificação compulsória individual. Por isso, os municípios não precisam comunicar obrigatoriamente cada caso isolado ao Estado. Entretanto, quando são identificados dois ou mais casos relacionados epidemiologicamente, como em uma escola, bairro ou outro espaço de convivência, a comunicação de um possível surto passa a ser obrigatória.
Nessas situações, as prefeituras devem informar o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de Minas Gerais (CIEVS-Minas) ou o setor técnico responsável.
A SES-MG acompanha os episódios considerando fatores como gravidade, capacidade de transmissão e quantidade de pessoas afetadas. O órgão também presta suporte técnico aos municípios, com orientações sobre prevenção, controle da doença e medidas de isolamento para reduzir a disseminação.
Proximidade entre cidades pode favorecer a transmissão
O epidemiologista Sinézio Inácio da Silva Junior, professor da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG), aponta que a proximidade entre os municípios pode ser um dos fatores relacionados à expansão dos casos na região.
Alfenas, que concentra o maior número de registros, é considerada pelo especialista um possível polo de disseminação. A circulação de pessoas entre cidades, especialmente por meio do transporte coletivo intermunicipal, também pode contribuir para a transmissão.
O ácaro responsável pela escabiose consegue sobreviver, em média, até três dias fora do corpo humano. Nesse período, pode permanecer em tecidos, roupas e estofados utilizados por pessoas infectadas.
O parasita depende do contato com a pele humana para se alimentar e se reproduzir. Fora desse ambiente, fica mais vulnerável à desidratação e à ausência de alimento.
Cuidados para evitar a contaminação
Entre as recomendações para reduzir o risco de transmissão está a higienização adequada de roupas, toalhas, roupas de cama e outros tecidos que tiveram contato com pessoas infectadas.
A orientação é lavar as peças, preferencialmente com água quente, entre 50°C e 60°C, quando o material permitir. Outra medida indicada é utilizar ferro de passar em temperatura elevada, inclusive em roupas e tecidos que normalmente não passam por esse processo.
Os cuidados com objetos e ambientes compartilhados são importantes para interromper o ciclo de transmissão e evitar novos casos.
*com informações G1 Sul de Minas








