Revolta e clamores por justiça marcam o velório de Nathiely Kamilly, de 16 anos, morta a tiros enquanto trabalhava em uma padaria na noite de quarta-feira (4/2), no bairro Lagoa, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O principal suspeito do crime é o ex-namorado da vítima, um adolescente de 17 anos, que foi apreendido. Ione Ferreira Costa, de 56 anos, que estava no estabelecimento, e Emanuely Geovana Rodrigues Seabra, de 14, que também trabalhava no local, morreram no ataque.
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O velório começou por volta das 8h30, no Cemitério Porto Seguro, em Ribeirão das Neves. Em poucos minutos, o local foi tomado por parentes e amigos de Nathiely, que choravam e clamavam por justiça. Eduarda Carolina, prima da vítima, classificou a ação do autor como uma crueldade e lamentou os sonhos interrompidos pela violência.
“Ela estava trabalhando, e ele não poupou a vida de ninguém. Foi a sangue frio. A gente pede justiça porque a família está sofrendo muito”, disse, emocionada. A familiar também criticou a falta de ações para impedir casos de feminicídio no país. “A revolta é muito grande, porque isso acontece todos os dias e nunca resulta em nada, nunca ninguém faz nada para mudar. Foi uma crueldade muito grande”, afirmou.
Eduarda Carolina disse que a família acredita que o adolescente apreendido seja o autor dos disparos. “Há pouco tempo eles estavam juntos e depois se separaram. Ele até chegou a ir à igreja com ela. Conversei com ela há duas semanas e eles já não estavam mais juntos. Pelo que a gente sabe, sempre que ele conversava com ela, xingava, só usava palavras feias. A gente desconfia porque havia esse tratamento ruim. Eles discutiram mais cedo”, contou.
Tia e madrinha de Nathiely, Silvana Strocate disse que a violência despedaçou o coração da família. “Está estraçalhado. Ninguém merece passar por isso. O ser humano está um nojo para fazer isso com mulheres que precisam ser protegidas. Não havia motivo para ele ter tirado a vida da minha sobrinha”, lamentou.
O sepultamento de Nathiely está marcado para as 10h, no Cemitério Porto Seguro.
Relembre o crime
Segundo a Polícia Militar (PM), o crime teria sido praticado por um adolescente de 17 anos, ex-namorado de uma das vítimas, uma adolescente de 16 anos que trabalhava na padaria onde o ataque ocorreu. Além dela, uma mulher de 56 anos também foi baleada e não resistiu aos ferimentos.
O suspeito de cometer ato infracional análogo a homicídio foi apreendido logo após o crime, na casa da avó materna, e encaminhado à 3ª Delegacia Regional de Ribeirão das Neves. O adolescente deve ser ouvido ainda nesta quinta-feira pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que decidirá sobre o pedido de internação em um centro socioeducativo.









