O Fórum Regional sobre o Licenciamento Ambiental do Lago de Furnas, realizado em Varginha na última sexta-feira (27/03), reuniu representantes de diversos setores e se consolidou como um dos mais importantes espaços de discussão já promovidos sobre o tema. Pela dimensão e participação, o encontro ganhou caráter semelhante ao de uma audiência pública, envolvendo lideranças, especialistas e a sociedade civil.
O evento acontece em um momento considerado histórico: após mais de 60 anos de operação, o reservatório da Usina Hidrelétrica de Furnas passou a contar, pela primeira vez, com Licença de Operação (LO), concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A medida representa um avanço significativo na gestão ambiental de um dos maiores lagos artificiais do país, com impacto direto na economia, no turismo e na qualidade de vida no Sul de Minas.
O fórum foi promovido por entidades como o Circuito Turístico Lago de Furnas, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Entorno do Lago de Furnas, o movimento 762 Pró Furnas e a Associação dos Municípios do Lago de Furnas, com apoio da Prefeitura de Varginha, da Secretaria de Cultura e da Fundação Educacional Sul Mineira, onde o encontro foi sediado.
Apesar da presença de autoridades, o evento manteve foco técnico, sem a formação de mesa política, priorizando o debate qualificado e a construção coletiva de propostas. A participação popular também foi destaque, com espaço aberto para manifestações de moradores e representantes diretamente impactados pela gestão do lago.
A Licença de Operação, resultado de um processo iniciado em 2017, tem validade inicial de cinco anos e estabelece uma série de condicionantes ambientais, sociais e territoriais. Entre as exigências estão programas de monitoramento, medidas compensatórias, regularização fundiária e apoio aos municípios na adequação de seus planos diretores.
Durante o encontro, um dos principais pontos discutidos foi a manutenção da cota mínima 762, considerada fundamental por lideranças regionais para garantir o equilíbrio entre geração de energia, preservação ambiental e desenvolvimento econômico.
O fórum também reforçou que o licenciamento ambiental, além de uma exigência legal, representa uma oportunidade de reorganização do uso do território, fortalecimento dos ecossistemas e maior segurança jurídica para atividades ligadas ao lago.
Ao final, ficou evidenciada a importância da participação contínua da sociedade no acompanhamento das condicionantes da licença, reforçando a necessidade de uma gestão compartilhada, transparente e voltada ao interesse coletivo no Lago de Furnas.
Fonte/O Alfenense











