Um conflito a milhares de quilômetros do Brasil já provoca reflexos diretos nas contas públicas de Tapira, no Triângulo Mineiro. A crise envolvendo o Irã afetou o mercado internacional de enxofre, matéria-prima utilizada na produção de fertilizantes, e contribuiu para a redução das operações da Mosaic no município. Com isso, a arrecadação local com royalties da mineração sofreu forte queda.
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Na última semana, Tapira recebeu R$ 167 mil referentes à Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). O valor ficou muito abaixo dos repasses mensais registrados anteriormente em 2026, que variavam entre R$ 766 mil e R$ 1 milhão.
A redução preocupa porque os royalties possuem peso significativo no orçamento municipal. Para este ano, a Prefeitura projetou receita total de R$ 93,5 milhões, dos quais R$ 20 milhões seriam provenientes da CFEM. O montante corresponde a aproximadamente 21% de toda a receita prevista. Até agora, menos da metade dos R$ 20 milhões esperados entrou nos cofres municipais.
Reflexos da crise internacional
A Mosaic extrai e processa fosfato em Tapira, matéria-prima ligada à cadeia de produção de fertilizantes. Desde junho, as operações foram reduzidas diante das dificuldades no fornecimento de enxofre.
Segundo a empresa, o cenário envolve restrições globais de oferta, instabilidade geopolítica, dificuldades nas rotas marítimas, aumento da demanda mundial e pressão sobre os custos. Os ajustes temporários na produção reduziram os volumes relacionados à atividade e, consequentemente, tiveram reflexos nos valores de CFEM destinados aos municípios beneficiários.
Tapira enfrenta ainda outra questão relacionada aos recursos da mineração. Além dos valores recebidos como município produtor, a cidade tem direito a parcelas destinadas a localidades afetadas pela atividade minerária. A legislação prevê a distribuição de parte da CFEM a municípios impactados por estruturas associadas à mineração.
Investimentos podem ser revistos
Com a redução da arrecadação, a administração municipal já avalia a necessidade de rever despesas e investimentos. Entre os projetos que poderão ser impactados estão obras de asfaltamento.
O secretário municipal de Fazenda e Finanças, Gilberto Martins Ribeiro, explicou que o município costuma manter despesas abaixo da arrecadação para formar reservas destinadas a investimentos de maior porte, como estradas, pontes e conjuntos habitacionais. Com a queda das receitas, porém, a revisão dos gastos passou a ser considerada pela administração.
O cenário evidencia como acontecimentos internacionais podem alcançar diretamente a economia de pequenos municípios brasileiros, especialmente aqueles que possuem parcela relevante de suas receitas vinculada à mineração.
Fonte: regionalzão








