No Sul de Minas, a valorização da memória indígena ganha novos contornos por meio do olhar atento e sensível da pesquisadora Júlia Mendonça. Estudante de Letras – Língua Portuguesa (Bacharelado) da UNIFAL-MG, Júlia desenvolveu um projeto que ultrapassa os limites acadêmicos e se transforma em um verdadeiro gesto de resgate histórico e afetivo. Seu trabalho lança luz sobre o Museu de Arqueologia Indígena Antônio Adauto Leite (MUARI), em Carmo do Rio Claro, evidenciando a importância de preservar narrativas que, por muito tempo, foram silenciadas.
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Movida por uma conexão pessoal com o território, Júlia Mendonça mergulhou em memórias locais marcadas pela construção da Usina de Furnas, investigando como relatos orais, registros audiovisuais e vestígios materiais podem manter vivas as histórias de comunidades impactadas. A partir da análise do documentário Histórias de Quando a Água Chegou e da coleta de depoimentos, sua pesquisa revela o poder da memória coletiva como ferramenta de resistência e identidade.
Ao destacar a trajetória de Antônio Adauto Leite — responsável por reunir um acervo de mais de 3 mil peças arqueológicas —, Júlia Mendonça evidencia o papel fundamental de indivíduos e espaços culturais na preservação da história indígena regional, especialmente dos povos Catu-auá/Cataguases e Tupi-guaranis. Seu trabalho também dá voz a testemunhos como o de Suzana Araújo Leite Hervas, reforçando que guardar memórias é, acima de tudo, garantir que histórias não sejam apagadas.
Com sensibilidade e rigor investigativo, Júlia Mendonça constrói uma pesquisa que não apenas dialoga com a literatura e o cinema documental, mas também reafirma a importância de olhar para o passado como forma de compreender o presente. Seu projeto é, sobretudo, um convite a reconhecer e valorizar as raízes culturais que sustentam a identidade de uma região inteira.


Antônio Adauto e sua filha, Suzana de Araújo Leite Hervas

Ítalo Oscar Riccardi León – professor do curso de Letras




Imagens/arquivo pessoal









